Hoje eu lembrei dela. Foi a lembrança mais bonita e triste que já tive. Lembrei de nós dois sentados em frente a casa dela, em um tronco de árvore que servia de banco. Ela falava sem parar, um bucado de coisas que eu nem prestava atenção, eu só me concentrava em cada peçado dela. A forma que mexia os lábios, de como gesticulava igual uma adolecente, os olhos… Aqueles olhos que eu jurava que jamais encontraria similar e o melhor: O topete que se formava em seu cabelo ao joga-lo para trás. Eu ficava pasmo e quando ela enfim percebia eu totalmente no mundo da lua, parava de falar e me dizia com a voz mais doce do mundo: “Não me olha assim…” e ficava toda encabulada. Eu juro, eu não conseguia olhar pra ela sem imaginar um mundo pra nós. Eu me perdia em um universo paralelo, tentando explicar a mim mesmo o por quê do sorriso dela iluminar mais que o sol. Eu passava noites pensando em como encontra-la no dia seguinte sem parecer desesperado. Ela era como uma flor pra mim. Vez por outra eu a chamava de beija-flor também. Ela era tudo pra mim. Ela tinha as pernas mais bonitas do mundo! Tinha a risada (escandalosa) e mais gostosa do mundo também. Ela tinha uma forma peculiar de enxergar o mundo, mesmo sendo o oposto de mim. Ela tinha o poder de fazer a minha respiração ficar lenta e forte ao mesmo tempo.
Eu sempre beijava os olhos dela e passei a beija-los mais ainda, depois que um dia ela me disse que “beijar os olhos de alguém significava amor eterno”.
Eu acho que é verdade mesmo. Ou melhor, eu tenho certeza. Ela é a lembrança mais bonita que eu tenho, porque me lembra o quanto meu coração batia e pulava por ela. Meu coração sorria, por ela eu sentia um amor puro e vermelho. Ela é a lembrança triste de tanto amor que eu tinha pra lhe dar e de quanto amor eu guardo até hoje e que é e sempre será somente dela.
Izabela Leone
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