Lembro como se fosse ontem quando nós nos conhecemos. O dia em que você deixou o meu melhor amigo bêbado comigo, pra eu tomar conta. Confesso que não lembro de você. A praia, na qual você elogiou as minhas pernas.
Mas a primeira vez em que te conheci mesmo, foi na bendita festa -do meu melhor amigo- a festa que eu não iria. Me lembro até hoje, como foi interessante um quase “desconhecido” esquentar meus pés com as mãos, naquela noite chuvosa. Eu achava que não daria em nada. Depois conheci o gosto, o cheiro, o calor e vontade de estar sempre perto. Você não teve nenhuma dificuldade em descobrir os meus mistérios, eu me senti a vontade e me abri. Também conheci o seu lado negro, e nem por isso deixei de desejar e fazer planos. Demorei pra aceitar e dizer que gostava de você. Quando percebi já haviam passado os temidos dois meses. Nada durava mais que isso. Mas durou. Lembro da nossa primeira aventura - escalar uma cachoeira- nosso primeiro jantar - sushi - nossas noites fora que sempre pareciam ser a primeira, nossa viagem - um lugar com sol, areia e água salgada que você detestava.
Nada era perfeito. Imagine duas forças iguais, convivendo em um mesmo espaço, mostrando diariamente sua verdadeira face. Até que fomos descobrindo que por mais que vivessemos em um mesmo planeta, éramos de mundos diferentes. Eu amei você - isso mesmo, amei do verbo amar - como se eu nunca tivesse sido magoada. Me doei como se todas as minhas cicatrizes nunca tivessem existido. Lutei porque a minha esperança sempre foi maior que o meu limite. Perdi a conta de quantas vezes me esqueci para só lembrar de você. Das vezes em que me superava, pra te mostrar que igual a mim, você nunca encontraria. Tentei viver tudo aquilo que eu já havia escrito tantas outras vezes e que já havia lido nos livros. Mas nós nunca nos achamos. Hoje, depois de tantas palavras ditas sem pensar, atitudes tomadas sem se importar, as coisas não ditas, não feitas, aquela dose de carinho pra regar a planta… Se perdeu. Não me sinto mais a vontade comigo mesma. Não consigo ser mais eu. Em um passo que damos pra frente, acabamos nos jogando pra trás e isso tudo por falta de amor. Por falta do seu amor. Você disse que eu era a melhor do mundo. Sem dúvidas só sua mãe faria tudo que eu fiz por você. Mas nada disso nunca foi o bastante. Disse que um dia fez planos… E agora? Não consigo mais te olhar com o mesmos olhos. Não me sinto mais aconchegada. Parece que não te conheço mais, por mais que o amor continue aqui e eu continue aqui.
Talvez você nunca entenda o porquê d’eu nunca ir, a pesar de tudo isso. E sabe o que eu desejo? Que ninguém nunca faça com você, o que você fez comigo.
Izabela Leone
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